A deputada federal Célia Xakriabá (PSOL-MG) foi designada relatora do Projeto de Lei nº 6.132/2025, que propõe a criação da Universidade Federal Indígena no Brasil. A indicação foi oficializada no Plenário da Câmara dos Deputados no dia 2 de fevereiro de 2026 e representa um marco na luta pela educação escolar indígena no país.
Em publicação nas redes sociais, a parlamentar destacou a importância da conquista e afirmou que a designação é resultado de anos de articulação e dedicação à pauta indígena. Segundo ela, o projeto contou com apoio direto do FNEEI e da APIB, organizações fundamentais na defesa dos direitos dos povos originários.
“Vamos relatar o projeto de lei que cria a Universidade Federal Indígena”, declarou a deputada, reforçando o compromisso com uma educação que respeite as identidades, os territórios e os saberes tradicionais.
Trajetória e representatividade
Célia Xakriabá é reconhecida nacionalmente por sua atuação em defesa dos direitos indígenas e das pautas socioambientais. Ela é a primeira mulher indígena doutora em Antropologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e também foi a primeira mulher indígena a integrar a equipe da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais, durante a gestão da escritora e educadora Macaé Evaristo.
Para a parlamentar, a criação da Universidade Federal Indígena é uma resposta histórica às demandas reprimidas por acesso, permanência e valorização dos estudantes indígenas no ensino superior. “Muitas vezes dizem que chegamos atrasados à universidade, mas a verdade é que o Estado brasileiro é que está atrasado por não nos escutar”, afirmou.
Um novo capítulo para a educação indígena
A proposta da nova universidade surge como símbolo de autonomia, reconhecimento e fortalecimento das políticas públicas voltadas aos povos originários. A expectativa é que a instituição tenha estrutura própria, currículo diferenciado e gestão alinhada às especificidades culturais e territoriais das diversas etnias brasileiras.
Caso avance no Congresso, o projeto poderá inaugurar um novo capítulo na história da educação superior no Brasil, ampliando o acesso e garantindo que os povos indígenas possam ocupar cada vez mais espaços acadêmicos e institucionais, sem abrir mão de suas identidades.
A relatoria de Célia Xakriabá reforça o protagonismo indígena dentro do Parlamento e sinaliza um passo importante rumo à construção de políticas educacionais mais inclusivas e plurais.

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