30 DIAS SEM JACINTO DE SOUZA NETO DA FAZENDA CACHOEIRINHA 30 dias sem o pai, o avô, o irmão, o tio, o primo, o vizinho JACINTO DE SOUZA NETO - uma das lideranças políticas mais influentes da FAZENDA CACHOEIRINHA- 4º DISTRITO DE NAZARÉ DO PICO FLORESTA-PE.
JACINTO ( Jacó) nasceu e cresceu na Fazenda São Gonçalo. Mas, suas raízes paternas são fincadas na FAZENDA EMA, lugar pelo qual manteve apreço e consideração aos parentes. Especialmente, pelo saudoso Irineu Ferraz. O vínculo entre ambos era forte e foram estreitados pelo apadrinhamento dos filhos mais velhos Jaciete e Jaci que tomaram Neuza Ferraz, Nomenando Ferraz, Niécio Ferraz e Neuma Ferraz como padrinhos, os quais, são esposa e filhos de Irineu.
Na década de 70, Jacinto adquiriu terras na Fazenda Cachoeirinha. E teve como vizinho e segundo pai, o nobre Manoel de Tino que o acolheu e o deu abrigo até que conseguisse construir sua primeira casinha de taipa. A partir desse tempo, a Fazenda Cachoeirinha passou a ser o seu lar, o seu amado pedaço de chão de onde ele não arredava o pé para nada. Alí, tendo como vista a imponente Serra do Pico, criou seus 7 filhos e construiu uma história cheia de sorrisos, lágrimas, alegrias, tristezas, honestidade, muita coragem e ânimo para acordar cedo e cumprir suas tarefas no campo.
Durante o período de chuva já amanhecia o dia cantarolando. Já no período de secas suspirava fundo porque seu maior medo era que seus filhos passassem fome. Sobre esse temor, relata-se uma triste passagem: estando ele, a trabalhar na Fazenda Enforcado para sua grande amiga Maria de Fortunato; a hora em que foi servido o almoço, ele não quis sentar para almoçar. Então, Dedeu pergunta: “compadre Jacinto não quer almoçar por quê? E ele responde em lágrimas: “porque não deixei nada para meus filhos almoçarem hoje.” Naquele instante foi um alvoroço, Maria de Fortunato e seus meninos montaram uma feira para ele levar para casa.
Era mestre na arte de amansar burro bravo. Quando mais jovem se aglomerava uma multidão em seu terreiro para apreciar esse fazer que ele herdou de seu pai Pedro Jacinto. Na década de 80, adquiriu seu primeiro carro, um jeep. ( Foi o primeiro homem a comprar carro na zona rural) E cheio de brincadeiras dizia sorrindo: “ esse jeep é muito econômico porque eu boto uma xicara de gasolina e dar para ir e voltar de Floresta.” Nesse período atuou significativamente nas campanhas políticas transportando futuros eleitores para fazer consultas médicas, tirar documentos e outros afazeres. Era homem sem covardia para seu povo. Pois, quando chegava alguém precisando fazer uma viagem e essa pessoa não votava no político para o qual ele trabalhava, ele, simplesmente, dizia “oxe, isso é negócio, espere eu trocar de roupa que eu levo por minha conta” Nas campanhas para vereador de seu parente e amigo Ulisses Flôr, fazia questão de entregar todos os donativos e brindes. Não permitia que seus meninos pegassem nem ao menos um chinelo. A proibição era por meio de uma frase célebre: “isso aqui não é para nós, é para o povo que precisa.” Sempre esteve ligado ao meio político. Embora, nos últimos anos já não atuasse na linha de frente das campanhas, mas, seu voto e opiniões eram garantidos sobre este ou aquele candidato. Na penúltima eleição sua filha mais velha perguntou: “pai, em quem o Senhor vai votar para Prefeito?” Ele respondeu: “ menina, eu vou acompanhar quem Adelmo Puça acompanhar.” Eis aí outra pessoa de quem ele gostava muito: Adelmo de Antônio Puça, Adelmo de sua prima Dôra de Siné, Adelmo que ensinou sua filha mais velha a escrever ETCETERA (ETC), Adelmo que foi avisar quando Jaciete foi aprovada na OAB ( ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL). E ele falava em tom de gratidão: “ Oh homem, Adelmo veio avisar de noite, oh coisa boa! Oh notícia boa!” Jacinto comprou casa própria na cidade de Serra Talhada. Mas, nunca morou lá por nenhum dia. ( nem mesmo quando já estava muito doente) Dizia que a claridade da rua tirava seu sono. Ele era um amante do meio rural. Plantava, colhia, enfrentava bravamente a seca. Nunca quis ir passear na capital, só foi por motivo de saúde. Orgulhosamente dizia: “ se eu me mudar da Cachoeirinha, eu sinto saudade até dos pé de pau.” O que ele mais gostava era de conviver com seus pares, visitar seus amigos e vizinhos, conversar com Detinha, Murilo, Messias, Graça, Inocêncio, Aderson, Manezinho, Adriana, Helena, Nita, Valdemir, Moaci...
Sua paixão era tamanha por esse cantinho do Sertão que nos últimos meses chegou a aceitar a proposta do filho Jailson: “ olha pai, o Senhor só fica no mato se prometer ir tomar os remédios e se alimentar na casa de Aderson e Helena” Sim, Helena de Nega fez tudo que era possível para que ele recebesse os cuidados necessários. ( Foi uma filha espiritual) Jailson, seu terceiro filho, juntamente com a esposa Patricia e filhos foram escolhidos pela espiritualidade maior para cuidá-lo, ampará-lo e acompanhá-lo em tudo que ele precisou, Pois, os demais filhos moravam distante. Sua paixão pela Cachoeirinha era do conhecimento de todos. E no dia de sua triste despedida, no instante da sua saída. A grande amiga Gracinha de Claúdio Raimundo pegou um punhado de terra do solo que ele tanto venerou e jogou em cima da tampa do caixão para que com ele fosse um pedacinho desse querido lugar para sua última morada. Desse homem íntegro, honesto, reto em suas ações, sentiremos saudade eterna. Cada passo dado no chão que ele amou será exemplo para aqueles que o consideravam e o amavam. Jacinto de Souza Neto deixa órfãos de sua presença física seus filhos: a professora e advogada Jaciete, Jaci (in memorian), Jailson, Jaciene, Jacira (in memorian), Jacilda e Geomar, seus netos, irmãos, sobrinhos, amigos e vizinhos. Das memórias de sua filha mais velha JacieteProfessora e Advogada
SOBRE JACINTO DE SOUZA NETO: “O Senhor partiu. Mas, deixou comigo um legado de carinho, simplicidade e força. Mostrou que, com honestidade, podemos conquistar tudo — e o Senhor foi a prova viva disso.”
Jamilly Souza Lima- Estudante de Direito e neta de Jacinto
“Hoje faz um mês que meu avô partiu. A saudade é enorme. Mas, o que fica são as lembranças da sua presença firme, das conversas cheias de respeito, da sua sinceridade e da honestidade que sempre o acompanharam.
Ele nunca foi de abraços, mas sempre me deu algo ainda mais valioso: a bênção, o cuidado em cada palavra e o exemplo de caráter. Esses gestos marcaram minha vida e serão para sempre a lembrança do homem incrível que ele foi.Que Deus o receba em paz e que sua memória siga viva em nós, como inspiração de amor, retidão e verdade.”
JENNIFER PAOLA- Estudante de Enfermagem e neta de Jacinto
“Jacinto você partiu e nos deixou uma grande falta.Pois, não foi apenas um vizinho e sim um membro da nossa família, ficou a falta de sua presença no dia a dia, sua paciência, suas boas ações, suas palavras positivas, sua honestidade. Nunca vou esquecer tudo que fez por meu "PAI NA SUA ENFERMIDADE".Obg por tudo. De você sempre vou guardar coisas boas.”
Maria das Dores Torres ( DETINHA)
“Um mês de sua partida as recordações, lembranças jamais serão esquecidas.Aquela pessoa com o coração enorme e sem maldade, seu jeito simples e admirável foi exemplo para todos que conviveram contigo e permanecerá para sempre “.
Wellington Murilo
“Não existem palavras que descrevam a dor da sua ausência, tio. Homem reto e sincero E não existe quem tenha vivido ou até mesmo compartilhando de um momento na sua presença que não tenham percebido sua integridade. O Senhor era um homem admirável, se foi, mas deixou ensinamentos para os que ficaram. Saudades eterna, tio.”
De sua sobrinha Maria de Tidinha.
Um tio, um pai, um amigo...tio Jacinto, um homem íntegro, respeitoso, era de um caráter imensurável...era sempre uma alegria pedir a sua benção e ser abençoada com muita firmeza!! Foi um orgulho ter um tio dono do primeiro carro da região! Ah meu tio!! Tão jovem ainda!! E Deus te levou!! Mas, boas lembranças o Senhor nos deixou! Meu amado tio!!
Silvelena Souza- Lena!
“É com carinho e saudades que falo do amigo vizinho Jacinto que teve sua vida dedicada ao trabalho rural. Homem honesto, íntegro, de poucas palavras. Mas quando estava entre amigos gostava de falar suas prosas. Bom vizinho companheiro e jamais se negava a servir qual amigo e ou vizinhos que precisasse dele fosse em circunstância de pessoas do bem. Tranquilo, passificador dos acordos entre seus vizinhos deixou entre todos nós que sempre convivemos com ele muitas saudades.Tenho certeza de que seu legado continuará através dos seus filhos.”
LENILDA BELO -VEREADORA
Hoje faz 1 mês que o senhor partiu, e meu coração ainda sente um vazio enorme. Fui sua nora, mas o senhor sempre me tratou como uma filha. Nossa convivência foi feita de conversas, risadas, confidências e até dos nossos “combinados” que só nós dois entendíamos.
Cuidar do senhor nunca foi um peso, mas sim um privilégio. Aprendi muito com sua sabedoria, com sua sinceridade e com o jeito único de enxergar a vida.
A saudade é grande, mas maior ainda é a gratidão por ter tido o senhor como parte da minha história. Levo comigo cada palavra, cada gesto e cada momento que compartilhamos.
Descanse em paz, meu sogro, meu amigo, meu exemplo. O senhor sempre será lembrado com carinho e amor. ❤️
Patrícia de Oliveira Lima




